Pois é, o diploma de Jornalismo não é mais obrigatório!
Os profissionais ficaram indignados. O mercado, porém, está se abrindo com tamanha reviravolta. Sei não no que vai dar tudo isso. Recentemente recebi de um amigo que cursou a faculdade de Jornalismo comigo, João Cleber Jurity Teixeira, um e-mail onde ele dizia: “É preciso muita calma nessa hora. Não vamos trocar a reflexão pela paixão. Nem deixar o saudosismo dominar a discussão. Acabou-se a obrigatoriedade do diploma, mas não acabaram com o jornalismo”.
Neste mesmo e-mail ele envia a opinião de Luis Nassif, diplomado e considerado um dos cinco mais respeitados jornalistas do país.
Quero compartilhar com vocês o pensamento do Nassif a respeito do assunto:
“Já fui mais cético em relação ao papel das faculdades de jornalismo. Sempre considerei o jornalismo um curso técnico.
Em seis meses de redação, aprendia-se o ofício com muito mais profundidade do que em quatro anos de faculdade.Além disso, as faculdades de jornalismo padeciam de um mal crônico: a grade curricular. Quando o curso surgiu, em fins dos anos 60, as Humanas tomaram conta, buscando marcar seu território na nova frente que se abria. Criaram excrescências como Sociologia da Comunicação, Filosofia da Comunicação, História da Comunicação. Excrescências porque essas matérias deveriam ser uma extensão das respectivas cadeiras. Ou seja, o aluno teria que fazer um curso de história, primeiro, para depois aprender uma especialização da história - a tal História da Comunicação.Em vez disso, no prazo de um ano o professor precisava passar noções de história, sociologia e antropologia e, de quebra, a especialidade estudada.No plano técnico-operacional, aprendia-se muito pouco. Um dos argumentos dos defensores da faculdade era a questão dos princípios éticos que ela incutiria nos alunos. Mas o que havia era uma profunda politização, de considerar o jornalismo uma arma de luta. Além disso, as distorções no jornalismo profissional ainda não eram tão acentuadas. O que ocorre hoje em dia é outro bicho. No plano técnico, os jornais se defasaram, não dominam a imensa riqueza que se abriu com a Internet. Portanto, é um campo a ser preenchido pelas faculdades. Mas, com exceção da Cásper Líbero, não me parece que as demais tenham acordado para essa nova realidade.No plano do jornalismo, os jornais desaprenderam completamente a técnica jornalística. Cartelização, arrogância, o uso reiterado da manipulação entortaram a boca. Os jornais desaprenderam princípios básicos de bom jornalismo, abrindo, agora, um campo para as faculdades entrarem.Além disso, há um enorme mercado que se abre com o fim da obrigatoriedade do diploma - beneficiando especialmente os com-diploma. Daqui para frente, cada vez mais as empresas e associações serão produtoras de informação, acabando com essa intermediação espúria da mídia. Hoje em dia há assessorias com mais jornalistas que as redações. Preparam releases, enviam para o jornal, o editor passa para um repórter dar uma guaribada e publicar como se fosse matéria própria. Esse jogo vai acabar. Cada vez mais empresas e associações precisarão de jornalistas profissionais para produzirem notícias que serão veiculadas sem intermediação na Internet.
Veja bem, no modelo convencional as redações prescindem de jornalistas formados. Elas têm seu próprio método de trabalho, no qual os jornalistas acabam se enquadrando. No novo modelo, as empresas necessitarão de jornalistas com formação - ou quem tenha passado por redações ou quem tenha se formado em faculdades que ensinem efetivamente o novo, como estruturar as informações das empresas, como identificar aquelas de interesse do público, como utilizar as novas mídias, etc.”.